Até R$ 300, compre o TWS que cabe no seu ouvido e cujo microfone a outra pessoa entende numa calçada. Não compre por grave de anúncio nem por cancelamento de ruído. Nessa faixa o “ANC” é um abafamento tímido. O isolamento de verdade é a borrachinha certa.

TWS é o fone sem fio de dois lados, com estojo que carrega. O Bluetooth é o cabo. Codec e latência importam menos do que dor na orelha e voz abafada.

Overrated

cancelamento de ruído impresso na caixa de R$ 200

Underrated

ponteira que veda e microfone testado na rua

O que dá para exigir

Som equilibrado, sem um grave que tapa a voz. Em fone barato o defeito clássico é grave inflado e agudo rasgado. Ouça uma música que você conhece e uma fala de podcast. Se a fala cansa em dois minutos, o fone cansa no ônibus.

Microfone. Peça para alguém ouvir trinta segundos com vento ou com a TV ligada. Se pedem para repetir, o fone não serve para trabalho. Serve para música em casa. São produtos diferentes. Muitos modelos dessa faixa acertam um e erram o outro.

Conforto. Ponteira de silicone em três tamanhos na caixa. A correta veda e o grave aparece sem estourar o volume. A errada dói em vinte minutos e você culpa o fone. Teste os três tamanhos. Não assuma que o médio é o seu.

Bateria do fone na casa de quatro a cinco horas, estojo que completa uns dois ciclos. Número de “40 horas” no anúncio soma estojo e modo econômico. Leia a linha de baixo.

O que a faixa não entrega

Cancelamento ativo decente começa mais perto de fone até R$ 800. Abaixo de R$ 300, o que reduz ônibus é vedação, não um chip milagroso. Se o anúncio centra o ANC, desconfie e ouça o modo desligado. Às vezes o modo ligado só abafa e chia.

Áudio sem fio de topo, multiponto estável (ligar em dois aparelhos ao mesmo tempo sem engasgo) e equalizador que presta são sorte, não piso. Galaxy Buds e AirPods de geração atual não cabem aqui novos. A briga deles está em AirPods ou Galaxy Buds. Nesta faixa o nome honesto é Redmi, QCY, Realme, Motorola e a linha de entrada da Soundcore ou da Edifier, com nota.

Latência em jogo: modo jogo existe e reduz o atraso. Não zera. Para filme, a maioria já está aceitável. Para ritmo competitivo, fone de ouvido com fio ainda ganha, e não é vergonha.

Compra no Brasil

Nota fiscal e uma marca que responde. Fone sem fio morre de bateria inchada no estojo e de lado que não carrega. Sem nota, você compra de novo em oito meses.

Bluetooth 5.3 ou melhor é o que aparece em modelo recente. 5.0 ainda anda. O que não anda é fone que desconecta quando o telefone entra no bolso do lado contrário. Teste isso na loja, andando, não sentado no Wi-Fi do caixa.

Resistência a suor (IPX4 ou IP54) vale se você corre. “À prova d’água” sem código não vale. Não lave. Não nade.

Cuidado com falso de modelo famoso a R$ 80. O estojo pesa errado, o microfone é pior e não há garantia. Prefira o fone honesto de R$ 250 ao AirPods de esquina.

Quem estuda com tablet pode ficar nessa faixa sem drama. O aparelho está em tablet até R$ 1.500. O fone não precisa custar o mesmo que a tela.

Veredito

Vedação, voz compreensível na rua, quatro horas de bateria e nota. Ignore ANC de caixa e grave de filme de vendas. Se o ouvido dói no teste, troque o tamanho da ponteira ou o modelo. Conforto não se reveja em casa.

Acima disso, você já está comprando outra categoria. Abaixo, você está comprando sorteio.

A editoria é Áudio pessoal. Mais em Reviews.

The Zero.