Google abre pré-venda do Googlebook a US$ 899. O Brasil ficou de fora.

A Google Store e a Best Buy, nos Estados Unidos, aceitam pedido hoje. Os aparelhos chegam às lojas em 4 de outubro nos EUA e em 5 de outubro no Canadá, Reino Unido, Irlanda, França, Alemanha e Austrália, segundo o blog oficial. Acer, ASUS, Dell, HP e Lenovo fabricam. A conta começa em US$ 899. No Brasil, até esta segunda, não há preço nem data.

Não é Pixelbook com outro nome no slide. É uma categoria nova, com sistema próprio — Googlebook OS — em cima da pilha do Android e da base de desktop do ChromeOS. Gemini vem no cursor. O celular Android, se for 17 ou mais novo, vira continuação da mesa. O Chromebook barato da escola continua existindo. Este aqui quer a prateleira do MacBook Air.

Linha de lançamento dos Googlebooks de Acer, ASUS, Dell, HP e Lenovo

Google / Divulgação — linha de lançamento do Googlebook

Overrated

chamar de notebook de IA o que ainda ninguém testou no colo

Underrated

ler a etiqueta: US$ 899 é oferta de estreia, e o Brasil não está na lista

O que a Google abriu hoje

John Solomon, vice-presidente e gerente-geral de notebooks, tablets e Android Enterprise, assina o recado de 21 de setembro. Preço de entrada: US$ 899. Em cada unidade, 12 meses de Google AI Pro com 5 TB na nuvem e ferramentas avançadas do Gemini, mais três meses de YouTube Premium, Adobe Photoshop e outros serviços. O sistema promete atualizações por até dez anos.

A Reuters, repercutida pelo Valor às 13h22 em São Paulo, resume o hardware: processadores Intel ou Qualcomm, até 14 horas de bateria no recorte da empresa, e a memória recente do ChromeOS premium — Pixelbook em 2017, Pixelbook Go em 2019. O Googlebook é a terceira tentativa de um carro-chefe. Desta vez a Google não monta o notebook: licença o nome e o sistema para cinco fábricas.

A mesma nota da Reuters coloca o MacBook Neo da Apple, a US$ 699, no mesmo corredor. Não é tabela brasileira. É o recorte de quem disputa a prateleira americana nesta semana.

Cinco máquinas, um Glowbar

O The Verge descreveu o hardware que chega na primeira leva. Tela de toque em todos. No mínimo 16 GB de RAM. Chassi de alumínio, liga de magnésio ou fibra de carbono. Teclado retroiluminado. Leitor de digital, reconhecimento facial, ou os dois. Na tampa, a faixa luminosa que a Google chama de Glowbar: acende na inicialização, varre o nível de bateria e reage quando você fala com o Gemini.

ModeloProcessadorTelaPreço inicial (EUA)
Acer Googlebook 14Intel Core Ultra 5 ou 7 Series 314" OLED 2,8K / 3K, conversívelUS$ 899
Dell XPS GooglebookSnapdragon X Elite13,4" 2,5KUS$ 1.199
ASUS Googlebook 14Intel Core Ultra 5 ou 7 Series 314" OLED 3KUS$ 1.299
HP Googlebook 14Snapdragon X Elite14" OLED 2,8KUS$ 1.299
Lenovo Googlebook 15Intel Core Ultra 5 Series 315,3" OLED 2,8KUS$ 1.299

Preços americanos, antes de imposto, compilados pelo The Verge e pelo Showmetech. A Dell, numa atualização do Verge nesta segunda, também aparece com oferta na Best Buy a US$ 999. Não unificamos tabela de loja. O piso oficial da Google continua US$ 899.

Esse piso tem asterisco. Kelly Odle, da Acer, disse ao The Verge que os US$ 899 do Googlebook 14 são “preço inicial de lançamento, por tempo limitado”. A fabricante planeja reavaliar conforme componente e mercado. No comunicado da Acer, o mesmo SKU (GP714-91N) sai na América do Norte em outubro a US$ 899, na EMEA em outubro a partir de € 1.199 e na Austrália em novembro a partir de A$ 2.599 — todos como oferta limitada. América Latina não entra na frase.

O Acer é o único conversível da leva. A própria Acer promete até 16 horas de navegação e 14 horas de vídeo local, 1,14 kg, 13,9 mm, uma Thunderbolt 4 e duas USB-C. James Lin, gerente-geral de notebooks da Acer:

“The new Acer Googlebook 14 puts intuitive and powerful tools with Gemini Intelligence at the fingertips of anyone wanting to boost their creativity and productivity.”

Tradução útil: Gemini no discurso. Conversível na mesa. Preço promocional no folheto.

Acer Googlebook 14 conversível, o modelo de entrada da linha

Acer / Divulgação — Googlebook 14 (GP714-91N)

O ASUS é o mais leve, 1 kg, e o que mais traz porta: duas USB-C, duas USB-A, HDMI. O Dell XPS Googlebook é o mais fino, 12,7 mm, e o mais pobre de conectores: duas USB-C. O HP sobe a 1 TB e junta face e digital. O Lenovo traz a tela maior, 15,3", HDMI, USB-A e um mouse opcional com Glowbar.

O truque é o telefone, não o slogan

O hardware é notebook fino de 2026. O argumento da Google é o Android no bolso.

Continue On. Você começa no celular e retoma no notebook, pelo ícone na barra. O The Verge viu a passagem ir para app nativo ou web, conforme o desenvolvedor implementou.

Cast My Apps. O sistema tem duas gavetas: a dos apps instalados no Googlebook e a dos apps que estão no telefone. Clica no do celular e usa mouse, teclado ou toque, sem instalar de novo.

Quick Access. O armazenamento do telefone aparece no gerenciador de arquivos como outra unidade. Pesquisa, abre, compartilha. Sem cabo, sem e-mail para si mesmo.

A Acer, no rodapé do press release, é explícita: esses recursos exigem aparelho com Android 17 ou superior. iPhone fica no app Link to iOS para sincronizar e responder mensagem. Quem tem Galaxy e odeia Windows é o recorte que Sameer Samat, presidente do Android, deu ao The Verge: o Googlebook mira quem tem um telefone como o Galaxy Z Fold 8 e não quer Mac nem Windows.

Gemini entra no ponteiro. Magic Pointer: treme o cursor e o assistente lê o que está na tela. Rambler: ao lado da tecla Quick Insert, transforma fala em texto organizado. Create My Widget: descreve o painel e o sistema monta. A Google diz que o Gemini só age quando você pede, e que dá para desligar. No briefing presencial do Verge, parte das tarefas rodou no aparelho e parte subiu para a nuvem — e não ficou claro, na hora, quando era o quê.

Detalhe do teclado com a marca Googlebook e da Glowbar na tampa

Google / Divulgação — teclado com a marca Googlebook e Glowbar

A Play Store promete selos: feito para desktop, otimizado para desktop, ou melhor no site. Photoshop, Lightroom e CapCut entram no discurso de criação. O The Verge instalou um Lightroom “otimizado para desktop” e registrou o óbvio: é a edição móvel, não o Lightroom Classic do Windows e do macOS. GeForce NOW vem com um ano incluso. Jogos Android, uns 20 mil no lançamento — inclusive o anúncio no fim da corrida, no colo, a US$ 1.299.

A Google não enviou unidade de review antes da estreia. Representantes das fabricantes, segundo o Verge, tinham acabado de receber o hardware e empurravam pergunta de software para a Google. Glowbar bonito. Colírio de imprensa. Teste no colo, outubro.

O que isso significa no Brasil

Nada, na prateleira, hoje. O Showmetech fechou a matéria da tarde com a frase que importa aqui: Google e fabricantes ainda não anunciaram preço nem data no Brasil. A lista de disponibilidade da Google para outubro é EUA, Canadá, Reino Unido, Irlanda, França, Alemanha e Austrália. A da Acer acrescenta EMEA em euro e Austrália em novembro, no SKU de entrada. Brasil não aparece.

US$ 899 não vira etiqueta de loja brasileira por mágica. Sem imposto, sem garantia local, sem Android 17 no seu bolso como requisito testado em prateleira daqui. Quem já usa Chromebook sabe o tamanho do “funciona no navegador”. Quem espera Photoshop de verdade ou Lightroom Classic continua olhando para Windows e Mac — e pagando isso.

O Pixelbook durou o que durou. O Googlebook chega com cinco fábricas, dez anos de atualização no discurso e um cursor que chama Gemini. A pré-venda é real. A fila brasileira, por enquanto, não.

Fontes

The Zero.