O que protege é uma capinha com borda mais alta que a tela e o vidro da câmera, mais uma película de vidro temperado se você apoia o telefone de bruços. O resto é estética ou marketing de queda de helicóptero.

Capa não é seguro. É a diferença entre um arranhão de chave e uma tela que custa uma fração do aparelho — ou o aparelho inteiro, no topo de linha.

Overrated

selo militar e película de hidrogel invisível

Underrated

borda que toca a mesa antes do vidro

O teste da mesa

Ponha o celular com a capa sobre uma mesa lisa, tela para baixo. Se a tela encostar, a capa falhou antes da primeira queda. A borda tem de ser a primeira coisa a tocar. O mesmo vale para o módulo de câmera: se as lentes ficam salientes, a capa precisa de um anel em volta. Sem isso, o vidro da câmera risca na primeira vez que o telefone escorrega no balcão.

Material: TPU (a borracha flexível) absorve melhor que acrílico rígido fino. Capa dura e lisa escorrega da mão, que é como a queda começa. Capa grossa de “tanque” protege e faz o telefone sair do bolso. Escolha o meio se você anda com o aparelho o dia inteiro.

Botões precisam de clique, não de membrana morta. Tampa de porta de carregamento que você arranca na primeira semana não conta como proteção.

Película: vidro, filme e o que cada um faz

Vidro temperado cobre a tela com uma lâmina que quebra no lugar do painel. Ele segura arranhão de chave, areia e a queda em que o telefone cai de cara. Não segura uma queda de escada em quina. Ninguém segura.

Filme plástico e hidrogel são finos, recuperam microarranho e não estilhaçam. Também não acrescentam quase nada contra impacto. Servem em tela curva em que o vidro não cola na borda, e em quem odeia a sensação de uma segunda camada. Não servem como desculpa para andar sem capa.

Película de câmera é um adesivo sobre o vidro da lente. Ajuda contra risco. Embaça um pouco a foto noturna se for de marca ruim, com halo no poste. Se a capa já tem anel alto, a película da câmera é redundante.

Privacidade (a película que escurece de lado) corta brilho. No sol, você sobe o brilho e gasta bateria. Só vale se alguém atrás de você lê o banco no ônibus.

O que a loja inventa

“Militar”, “10 metros” e “certificação” sem o número da norma são frase de anúncio. Queda real é quina, concreto e azar. Uma capa de R$ 40 com borda alta ganha de uma de R$ 200 que deixa a tela beijar a mesa.

Compatibilidade é modelo, não “serve no iPhone”. Capa de geração anterior tapa alto-falante ou deixa o botão fora. Compre pelo nome exato do aparelho, inclusive Pro, Plus ou FE.

Original de fabricante costuma acertar o encaixe e custa mais. Paralela boa existe. Paralela que amarela em um mês e solta a película também. Se o vidro já veio com bolha, troque na hora. Bolha vira pó e risca.

Quem importa o telefone e depois descobre que a tela nacional é cara deveria ter feito a conta da assistência antes. Isso está em iPhone nos EUA ou na loja BR.

Veredito

Borda mais alta que a tela e que a câmera. Vidro temperado se a tela é plana e você apoia o aparelho. Hidrogel só quando o vidro não assenta. Ignore o selo de guerra.

Se a capa impede o carregamento sem fio ou o clique do botão, ela não serve, por mais “premium” que seja a caixa.

O resto da editoria está em Celulares e em Reviews.

The Zero.