Use um carregador USB-C com Power Delivery de verdade, potência igual ou maior que a do celular, e cabo que aguente essa corrente. Carregador de barraca que promete 65 W numa fonte do tamanho de um dado mente, esquenta e envelhece a bateria.

A bateria não “frita” porque o número da caixa é alto. Ela sofre quando a fonte é instável, o cabo é fino e o telefone fica pelando em cima do travesseiro.

Overrated

watts impressos no carregador de R$ 25

Underrated

Power Delivery, cabo grosso e carga que para nos 80% de noite

Quem manda na velocidade

Power Delivery (PD) é o protocolo em que carregador e celular combinam a voltagem. Sem essa conversa, muitos aparelhos caem para uma carga lenta e segura, ou para um meio-termo que esquenta. PPS é um refinamento do PD que alguns Samsung e Google usam para ajustar a voltagem fina. Se o seu telefone pede PPS e a fonte só tem PD genérico, a carga rápida “de 45 W” da caixa não acontece.

O limite é o menor dos três: o que o celular aceita, o que a fonte entrega e o que o cabo suporta. Cabo solto de um fone velho, marcado como USB 2.0 fino, segura 15 W e mente o resto. Cabo com e-marker (o chip que declara a capacidade) importa acima de uns 60 W e em cabo longo.

Não compre fonte “de notebook” de 100 W para um celular de 25 W esperando mágica. O celular pede o que sabe. A sobra fica parada. Ela só vale se a mesma tomada também alimenta o notebook.

Calor é o dano, não o relógio

Bateria de íon de lítio envelhece com calor e com ficar dias a 100%. Carga rápida até cerca de 80% é o desenho normal do aparelho. O trecho final é que esquenta e rende pouco. Deixar o telefone carregando a noite toda em carga turbo, debaixo do travesseiro, é o hábito que mata capacidade em um ano.

Se a fonte não dá para segurar na mão depois de vinte minutos, descarte. Cheiro doce, chiado e plugue que amolece são incêndio, não “esquenta porque é potente”.

No Brasil, carregador vendido em loja precisa de homologação da Anatel. O número fica no corpo ou na embalagem, e dá para consultar. Sem isso, a tomada da sua casa vira o laboratório. Marketplace está cheio de fonte com selo impresso e miolo que não é o anunciado.

O que olhar na compra

  • Potência contínua, não “pico”. 20 W ou 30 W PD cobrem a maioria dos celulares. 45 W ou 65 W só se o fabricante do telefone publica essa carga.
  • Mais de uma porta divide os watts. A etiqueta tem de dizer o total com as duas ocupadas, não a soma dos sonhos.
  • Tomada brasileira de verdade, ou um adaptador que não dance no buraco. Fonte americana com gilete frouxo esquenta no contato.
  • Cabo na caixa, ou você já tem um que aguenta. Fonte boa com cabo de brinde ruim é carga lenta.
  • Marca que troca na garantia com nota. Anker, Baseus, Samsung, Apple, Motorola e Belkin aparecem com nota. O nome não basta: confira o modelo e o selo.

iPhone puxa pouco perto de um topo de linha Android. Fonte de 20 W PD da Apple ou equivalente chega. Gastar em 100 W “para o iPhone” não enche a bateria mais rápido. Quem trouxe o aparelho de fora ainda precisa dessa fonte no Brasil. A conta maior está em iPhone nos EUA ou na loja.

Carregar em tomada quente, atrás da cortina, com benjamim lotado, anula o carregador bom. Uma tomada, um plugue firme.

Veredito

PD de marca, potência que o celular realmente usa, cabo à altura, Anatel, nota. Deixe a carga rápida para o dia. De noite, carga normal ou o limite de 80% que o sistema oferece.

Fonte sem marca que custa menos que um lanche não é economia. É a peça que você vai culpar quando a bateria despencar em oito meses — e às vezes é ela mesmo.

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The Zero.