A Electronic Arts anunciou no dia 21 de outubro o fechamento da BioWare, estúdio canadense responsável por algumas das franquias mais influentes do RPG ocidental, e o cancelamento do próximo Mass Effect, em desenvolvimento desde o anúncio oficial em 2020. A decisão faz parte de um corte maior na publisher, de cerca de 400 demissões, aproximadamente 3% da força de trabalho global, segundo apuração da Bloomberg e do VGC. Cerca de 50 funcionários da BioWare foram diretamente afetados.
A despedida veio pelo blog oficial do estúdio: "Depois de mais de três décadas de aventuras compartilhadas, a BioWare está fechando, e o desenvolvimento inicial do próximo projeto de Mass Effect está chegando ao fim", diz o comunicado, que lista a trajetória da casa: Baldur's Gate, Neverwinter Nights, Star Wars: Knights of the Old Republic, Dragon Age, Mass Effect e Anthem.
Uma queda anunciada aos poucos
A última década da BioWare foi de desgaste progressivo. Anthem (2019) ficou aquém do esperado e teve os servidores desligados por completo no começo deste ano. Dragon Age: The Veilguard (2024) não atingiu as metas da EA e motivou uma primeira rodada de cortes no estúdio em 2025 — na época, os representantes de Mass Effect ainda garantiam que o novo jogo seguia em desenvolvimento. Segundo comunicado interno obtido pela Variety, uma equipe já reduzida trabalhava nas fases iniciais do projeto quando a decisão final chegou. Com o fim do estúdio, fecha também o escritório de Edmonton, no Canadá.
O fechamento acontece dois meses depois da conclusão da venda da própria EA por US$ 55 bilhões, em agosto, para um grupo formado pelo Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita, pela Silver Lake e pela Affinity Partners, empresa ligada a Jared Kushner. A publisher deixou a bolsa e, segundo o VGC, a operação a colocou diante de cerca de US$ 18 bilhões em dívidas — antes mesmo da conclusão, a companhia já sinalizava planos de economizar US$ 700 milhões com cortes. Em comunicado aos funcionários, os executivos Cam Weber e David Tinson disseram que a empresa passou os últimos meses avaliando prioridades para os próximos anos.
O que segue nos planos da EA
A reestruturação não é uma retirada dos games: a EA diz que vai concentrar recursos em menos projetos, maiores. As prioridades declaradas são Battlefield, Apex Legends e a linha EA Sports, além de grandes jogos de ação e aventura. Respawn e DICE trabalharão juntos num projeto futuro — a Variety aponta um possível Star Wars: Battlefront 3 —, e seguem de pé o jogo do Homem de Ferro, o próximo Star Wars Jedi e um novo Fight Night, em pré-produção. Na outra ponta, o Project Lotus foi pausado e Skate. terá a equipe reduzida para um planejamento de longo prazo.
O que fica
As franquias não desaparecem das lojas: o catálogo da BioWare, incluindo Mass Effect Legendary Edition e a série Dragon Age, segue à venda e nos serviços de assinatura onde já estava. O que morre é o estúdio como produtor de novidades — e, com ele, a expectativa de um novo capítulo da saga espacial anunciado em 2020, que passou cinco anos em mistério, nunca ganhou nome oficial nem janela de lançamento e agora termina antes de avançar para a produção plena.
O que isso significa no Brasil
Para o jogador brasileiro, a notícia tem duas leituras. A primeira é nostálgica: fica encerrada uma das casas que mais formou fãs de RPG por aqui, e o novo Mass Effect deixa de existir antes mesmo de ganhar forma pública. A segunda é prática: com o estúdio fechado, o destino das franquias passa a depender de outras equipes da EA, e o acervo existente vira o jeito definitivo de conhecer esses mundos — para quem nunca jogou, vale comparar assinatura e compra avulsa no nosso guia de Game Pass Ultimate ou comprar o jogo: quando cada um vale.





