Os TPUs da Google no espaço rodam cerca de 15 minutos e desligam para esfriar.

Nesta quinta (24), a Google marcou o primeiro teste em órbita do Project Suncatcher: um satélite protótipo com Tensor Processing Units, no rideshare Transporter-18 da SpaceX, em parceria com a Planet, na semana que vem. O post descreve vibração, radiação e calor. Não escreve o dia do lançamento e não escreve por quanto tempo o chip fica ligado. O The Verge, citando o que Travis Beals disse ao New York Times, registra cerca de 15 minutos antes de desligar para esfriar. A Ars Technica, no mesmo dia, descreve rajadas de cerca de 15 minutos. Depois disso, os TPUs desligam para o radiador alcançar.

Ilustração de satélite com painel solar azul e corpo retangular, publicada pela Google

Google. Ilustração no post de 24 de setembro de 2026. Não é fotografia do satélite que segue no Transporter-18.

Overrated

chamar de data center em órbita o que ainda desliga para esfriar

Underrated

o dado que o feixe de prótons não entrega

Quatro chips dentro de uma geladeira

A Ars descreve o satélite com o nome MVP, do tamanho de uma geladeira, com quatro TPUs da Google. O corpo, na reportagem, é da Planet. Os chips são da Google. O plano anterior, ainda segundo a Ars, era lançar dois satélites feitos para isso em 2027. A reportagem diz que a Google adiantou o teste encaixando o hardware num satélite que a Planet já tinha construído. O comunicado da Planet, de 4 de novembro de 2025, já falava em dois protótipos no começo de 2027. O post de hoje da Google mantém 2027 para outra etapa: dois satélites e o enlace de laser entre eles.

O The Verge e a Ars marcam o voo para 1º de outubro, num Falcon 9. O blog da Google fica em "next week". A Reuters, no mesmo dia, também diz semana que vem, no Transporter-18, com a Planet Labs, para medir força de lançamento, radiação e temperatura em órbita baixa.

A Ars, citando o New York Times, fala em painéis de cerca de 1 quilowatt. A comparação da reportagem é um micro-ondas ou um secador de cabelo. No chão, lembra a Ars, um data center roda milhares desses chips. Quatro, com essa energia, são o teste.

A Reuters registra o que a Google diz que a missão é: coletar dado em órbita e achar ponto de falha. Não é demonstração de um data center orbital em operação. A reportagem acrescenta que especialistas veem anos até viabilidade comercial, por custo de lançamento, limite de engenharia e gargalo de produção de satélite. SpaceX e Starcloud também perseguem data center em órbita baixa.

O vácuo não tem vento

O post da Google trata o calor como o problema que o laboratório não fecha. O TPU esquenta numa área pequena. No vácuo não há ar para levar esse calor. O caminho que a empresa descreve junta tubos de calor e radiadores. O conjunto já passou por câmara de vácuo térmico, que simula temperatura e vácuo. O que falta é o mesmo sistema com o chip ligado em órbita.

Os 15 minutos não estão nesse texto. Estão no que Beals disse ao Times, segundo o Verge, e na descrição da Ars: o resfriamento só aguenta rajadas curtas, e o chip desliga para o radiador recuperar. Sem o número no blog, a duração continua sendo relato de reportagem, não ficha da Google.

O que o chão já mediu

A subida até a órbita baixa, no post, dura cerca de 10 minutos. A nave chega a 10 vezes a gravidade. Componentes, como os chips TPU, podem ver 50 a 100 g. A equipe chacoalhou o satélite nos três eixos para imitar a frequência do foguete. A frase da Google: testes desse tipo quase nunca saem como o plano, e o hardware aguentou.

“We were pleasantly surprised that the hardware held up to the force.”

Radiação é o outro ensaio de chão. A Google rodou carga de IA num feixe de prótons no Crocker Nuclear Laboratory, da UC Davis, e ficou de olho em erro do tipo bit flip. O resultado que o post publica: os TPUs Trillium aguentam uma dose ionizante total maior do que a de uma missão de cinco anos. A frase seguinte desfaz o atalho.

“Some things can only be tested in space.”

A aposta de longo prazo, no mesmo texto, é sol. Em órbita baixa, o painel pode gerar até oito vezes mais energia solar do que no chão. O desenho futuro põe dezenas de TPUs em cada satélite, em grupo, falando por laser. A precisão que a Google descreve é a de acertar um alvo do tamanho de uma moeda a milhas de distância, com os dois pontos em movimento. Esse teste é o de 2027, não o da semana que vem.

Fontes

The Zero.