Spotify apaga 75 milhões de faixas de spam e tira outras 50 milhões feitas por IA das recomendações.

O Spotify revelou o balanço de um ano de combate ao 'lixo de IA': mais de 75 milhões de faixas foram removidas da plataforma por violações graves ou repetidas das regras contra spam, e outras 50 milhões de músicas com spam ou conteúdo de baixa qualidade gerado por inteligência artificial saíram das recomendações ao longo do período. Os números constam de um comunicado oficial publicado nesta terça (20).

Como a faxina funciona

A empresa analisou as músicas que os ouvintes pulavam, ignoravam ou marcavam como indesejadas e encontrou um padrão claro: eram, na maioria, faixas artificiais ou fraudulentas. Nos últimos seis meses, o sistema de recomendação foi atualizado para priorizar artistas humanos — e as reclamações sobre esse conteúdo em rádios e playlists personalizadas caíram, segundo a plataforma.

Nenhum sinal isolado identifica o "AI slop". O Spotify combina comportamento dos ouvintes, padrões de upload, metadados e ferramentas de detecção de IA de terceiros, caçando táticas como envio em massa, faixas duplicadas, manipulação de busca, redes de playlists de spam e músicas curtas demais, feitas para burlar métricas, como detalha o Canaltech.

As ferramentas do último ano

  • Créditos de IA: lançados em abril, permitem ao artista declarar quais papéis e instrumentos foram feitos com IA; já são dezenas de milhares de créditos por dia, visíveis nos "Créditos da música";
  • Verified by Spotify: selo que garante uma pessoa real por trás do perfil — mais de 300 mil artistas, que representam 99% das buscas na plataforma; 70% deles independentes;
  • Selo de Persona de IA: marca artistas gerados por IA, que ficam fora das recomendações por padrão; o Spotify diz ser o único grande streaming com esse rótulo;
  • Proteção do Perfil do Artista: o artista revisa e aprova lançamentos atribuídos ao seu nome antes da publicação; em beta, chega a todos até o fim do ano;
  • Regra dos 1.000 streams: faixas só geram royalties acima desse piso — e músicas com sinais de IA têm dez vezes mais chance de ficar abaixo dele, o que dificulta o desvio de royalties em escala.

O que isso significa no Brasil

O Brasil é um dos maiores mercados do Spotify e tem um ecossistema enorme de artistas independentes — exatamente quem mais perdia espaço e royalties para o lixo de IA nas playlists algorítmicas. A combinação de selo de verificação, regra de monetização e expurgo das recomendações tende a devolver alcance a quem produz de verdade por aqui. Para quem divulga música própria, vale revisitar também o guia microfone USB sem estúdio: o que comprar para melhorar a captação sem gastar muito.