A Microsoft desistiu de participar do maior projeto de data center de inteligência artificial do Reino Unido. Segundo BBC e The Guardian, a empresa encerrou seu envolvimento no empreendimento de 2 bilhões de libras da britânica Nscale em Loughton, no condado de Essex, depois de problemas no fornecimento de energia. A Microsoft não comentou.

Nscale / Divulgação. O projeto de Loughton era apresentado pelo governo britânico como o maior data center soberano de IA do país.
O que aconteceu
A Nscale anunciou o projeto no ano passado, com 2 bilhões de libras para construir e abrir a instalação. A Microsoft financiaria um supercomputador no local e era a única cliente anunciada publicamente do empreendimento — no mês passado, a empresa chegou a dizer que parte dos 30 bilhões de dólares que investe no Reino Unido iria para esse supercomputador.
O problema é a energia. O site estava previsto para receber fornecimento da rede elétrica no fim deste ano, mas a UK Power Networks, dona da rede de Londres e do sudeste da Inglaterra, informou à Nscale que só conseguirá entregar energia suficiente entre o começo e o meio da década de 2030. O primeiro a noticiar a saída da Microsoft foi o Telegraph, no domingo (18).
A Nscale diz que segue no projeto
Em comunicado, a Nscale afirmou que continua comprometida com Loughton e com o Reino Unido e que busca fontes alternativas de energia para o site, além de outros locais de expansão no país. A empresa disse ainda que a relação com a Microsoft "continua forte e de longo prazo": as duas seguem juntas em projetos na Noruega, em Portugal e nos Estados Unidos. "Esse infeliz problema de rede em Londres não tem impacto nos nossos outros contratos", disse a empresa à BBC.
O que fica exposto
A saída da Microsoft é um golpe num símbolo da estratégia britânica de IA. O governo de Keir Starmer apresentou Loughton, em 2025, como o "maior data center soberano de IA do Reino Unido", e o local deveria gerar 250 empregos permanentes quando abrisse. Em março, o Guardian revelou que o terreno ainda funcionava como depósito de andaimes.
O episódio também complica os planos da própria Nscale: apoiada pela NVIDIA e com Nick Clegg, ex-vice-premiê britânico, e Sheryl Sandberg, ex-diretora de operações da Meta, no conselho, a empresa pretendia abrir capital em Nova York neste ano, com avaliação potencial de 35 bilhões de dólares. Perder o único cliente anunciado do seu principal projeto, sem energia garantida até a próxima década, torna essa meta bem mais difícil.
O que isso significa no Brasil
O caso mostra que o gargalo da IA deixou de ser só o chip: é a energia. Se Londres não consegue ligar um data center antes de 2030, países com energia abundante, barata e majoritariamente renovável — caso do Brasil — entram no radar dos grandes investimentos em infraestrutura de IA, e essa disputa já aparece nos anúncios de data centers por aqui. Para o usuário final, a corrida por capacidade também explica por que os planos pagos de nuvem e IA seguem caros; para gastar menos, o guia nuvem grátis: Drive, OneDrive ou iCloud ajuda a escolher sem pagar nada.





