O WhatsApp passou a deixar entrar em chamada de voz ou de vídeo quem não tem conta no aplicativo. A Meta chamou o recurso de guest calling: o convidado abre um convite no navegador, o anfitrião aprova, e a participação segue sem cadastro. O Olhar Digital publicou a novidade nesta quarta (14). O Engadget descreveu as mesmas regras no mesmo dia.
No Brasil isso pesa mais do que em mercado onde o WhatsApp é um app a mais. Aqui ele organiza família, escola, condomínio e grupo de trabalho. Quem não está no app — parente no exterior, cliente, professor de outra plataforma — até agora ficava de fora da chamada ou era empurrado a criar conta. O link tira esse pedágio. Também muda o formato do golpe: o convite parece reunião, não “clique aqui para resgatar”.

Engadget / Divulgação. Interface de guest calling no navegador, com convite por link e grade de participantes.
OVERRATED ↑
tratar o link verde como prova de que a reunião é real
UNDERRATED ↓
o anfitrião continua sendo o único filtro entre o convite e a sala
Como o convidado entra
O fluxo é curto. Alguém com conta cria o convite e envia o link. O convidado não inicia a ligação. Só recebe e aceita. A entrada ainda depende do anfitrião: sem essa aprovação, a pessoa não entra na sala. Dá para participar de chamada individual ou em grupo, pelo navegador.
Depois de autorizado, o convidado usa o básico da chamada: compartilhar tela, levantar a mão para pedir a palavra e reagir com emoji de joinha ou de coração. Não há limite de tempo de participação, segundo o Olhar Digital e o Engadget.
O que o convidado não faz é o resto do WhatsApp. Não envia mensagem pelo aplicativo. Não vê o número de telefone dos outros participantes. Não adiciona gente na chamada. As duas reportagens comparam o recorte com o FaceTime da Apple, que também aceita participar de ligação por link sem conta Apple nem aparelho da marca.
Calendário ainda este ano
A empresa ainda prepara um complemento para criar chamada do WhatsApp a partir do calendário do Google ou do Outlook. O lançamento ficou para ainda este ano. Nem o Olhar Digital nem o Engadget detalharam todos os recursos da integração. A ideia anunciada é o agendamento sair do mensageiro e entrar no calendário; o convite carrega a chamada.
O guest calling entra numa fila de mudanças de 2026. As duas matérias citam nomes de usuário, para identificar pessoas sem expor o número; chamadas criptografadas na versão web; e cadastro pelo iPad. O agendamento de mensagens aparece como possibilidade futura. O Olhar Digital registra que o material de origem não confirma data para esse recurso.
O que muda para quem recebe o link no Brasil
Quem recebe o convite sem ter WhatsApp deixa de instalar o app só para entrar dois minutos na reunião da escola. Abre o navegador, espera o anfitrião, fala, sai. Para o idoso sem conta, ou para o colega de outro mensageiro, o pedágio some. Para o comércio que atende cliente sem o número salvo, o vendedor com conta manda o link; o cliente entra sem baixar nada.
A privacidade do recorte é estreita. O convidado não vê número de telefone. Isso reduz um vazamento clássico da chamada em grupo: o participante ocasional copiar a lista. Não reduz o resto. O anfitrião ainda escolhe quem entra. As fontes não descrevem verificação de identidade além da aprovação humana. A sala continua sendo a sala de quem mandou o link.
O risco novo é o formato do convite. Golpe por link no WhatsApp já é rotina no país: falso comprovante, falso prêmio, falso aviso de banimento. Um link de chamada herda a urgência da reunião. “Entra aí que a família já está na videochamada” pressiona mais do que um PDF. O convidado sem conta não tem o histórico do chat para cruzar com a pessoa. Só tem o link e quem aparecer depois da aprovação.
Nada nas duas reportagens descreve um golpe específico com guest calling. O que elas descrevem é um convite que qualquer anfitrião com conta pode mandar. No Brasil, o recado é curto: não entre em chamada de desconhecido, não aprove quem o grupo não reconhece, e não trate o link do WhatsApp como prova de autenticidade. Se o anfitrião for preguiçoso, o navegador só encurta o caminho. O recurso serve para incluir quem não tem conta. Não serve para transformar o grupo da família numa sala pública.




