O Google tornou estável, nesta quarta-feira (28), o recurso Bring Your Own Agent (BYOA, algo como "traga o seu próprio agente") no Android Studio Rabbit 2. Na prática, o IDE oficial do Android deixa de depender só do Gemini: quem programa pode escolher entre mais de 40 agentes de código, entre eles Claude Agent, da Anthropic, e Codex, da OpenAI. A novidade foi anunciada no Android Developer Summit.
O que muda no Android Studio
Segundo o blog oficial de desenvolvedores do Android, a lista inclui Claude Agent, Codex, Junie e o Antigravity, do próprio Google. O recurso aceita agentes compatíveis com o Agent Client Protocol (ACP), um protocolo aberto, segundo o Google.
O ponto central é o acesso. De acordo com o Google, os agentes de terceiros usam as mesmas ferramentas do Android Studio: o Android Emulator, os sistemas de build e o Logcat. Também podem usar as "skills" do Android, pacotes de instruções para tarefas longas, como migrar telas em XML para Jetpack Compose ou atualizar para o Android Gradle Plugin 9.
Para começar, o desenvolvedor abre a janela do agente, escolhe o agente desejado, autentica e envia o primeiro pedido. O mesmo caminho existe em Settings > Tools > AI > Agents. O Google diz que a escolha vale para quem precisa de um custo específico ou de um provedor que siga um contrato corporativo.
Outras novidades da versão
O Rabbit 2 traz mais itens, segundo a mesma publicação:
- Change Review: como o agente escreve e refatora código mais rápido, o gargalo passa a ser a revisão. O recurso aponta correções recomendadas e monta um passeio guiado que agrupa as mudanças por tema, em vez de listar arquivos em ordem alfabética.
- Gerenciador de skills: permite descobrir, instalar e controlar as skills do Android e do Firebase que o agente pode usar.
- LeakCanary com o agente: a ferramenta de vazamento de memória passa a explicar a causa e sugerir mudanças de código dentro do Profiler.
- Emuladores de Android XR: os emuladores para óculos de XR, de áudio e de display ficaram estáveis, com ambientes personalizáveis a partir de fotos 360 graus.
- Gemini Enterprise: disponível desde o Rabbit 1, com controles de privacidade e registro de auditoria para equipes.
Além do IDE: o Android CLI
O Google também levou a mesma abertura ao terminal. De acordo com o The New Stack, o Android CLI ganhou plugins oficiais para Claude Code e Codex, que cobrem criação de projeto, gerenciamento de emulador, inspeção de interface e a documentação do Android. A publicação descreve que os agentes passam a investigar bugs, testar mudanças e verificar as próprias correções, com acesso a dispositivos, profilers e relatórios de falhas em produção.
O vice-presidente de produto do Android, Matthew McCullough, enfatizou no anúncio o objetivo de dar liberdade para escolher modelos e agentes, segundo o The New Stack.
O que ainda não está claro
O blog do Google não informa preços nem regras de cobrança dos agentes: cada um segue as condições de quem o fornece, sem detalhes nas fontes consultadas. Também não há, nas fontes consultadas, dados de desempenho comparando os agentes dentro do IDE. A compatibilidade de cada um depende de suportar o ACP.
O que isso significa no Brasil
A atualização é uma versão de software e chega a quem baixar o Android Studio estável, sem recorte regional nas fontes. O custo real para o desenvolvedor brasileiro vem do agente escolhido, cobrado normalmente em dólar. Antes de contratar um plano mais caro, vale comparar o que um modelo menor já resolve na rotina do código, como mostra o guia Modelo menor ou Pro: quando o barato resolve.





