Quem lê no celular ou tablet Android agora pode escrever à mão nos livros do Kindle, direto na página, como num livro de papel. A Amazon liberou a função no aplicativo do Kindle para Android, com direito a caneta, marca-texto e borracha, e o texto do livro flui ao redor das suas anotações. Por enquanto, o recurso é exclusivo do Android: nada de iPhone ou iPad.
O aviso chega por um pop-up dentro do app. Ao tocar na tela com uma caneta stylus compatível — a S Pen da Samsung é o exemplo citado pela própria Amazon — o leitor escolhe o estilo da ponta, a espessura e a cor, e sai riscando. Segundo a página oficial de ajuda, a função espelha o que já existia no Kindle Scribe, o e-reader com caneta da empresa.
Três jeitos de anotar
A barra de ferramentas de escrita oferece três formatos. O sticky note funciona como um post-it: você toca num ponto da página e escreve num espaço flutuante, que depois vira um ícone discreto na margem expansível. O active canvas é mais ambicioso: ao segurar o toque entre duas linhas, o app abre um quadro em branco no meio do texto — e o parágrafo se refaz ao redor dele. Dá até para criar o quadro desenhando um traço qualquer na página e confirmar o tamanho depois. Por fim, a margem expansível aceita notas contínuas, que viram sticky notes quando você a recolhe.
Em PDFs e documentos pessoais enviados pelo Send to Kindle, em alguns casos dá para escrever direto sobre a página, sem quadro intermediário. Tudo é salvo automaticamente ao fechar a nota.
Há limites a conhecer antes de sair riscando a biblioteca. O active canvas só funciona com idiomas escritos da esquerda para a direita na horizontal — árabe e japonês ficam de fora — e capas de terceiros podem interferir em áreas de escrita perto da borda da tela, avisa a Amazon. As ferramentas da barra incluem caneta, marca-texto, borracha e desfazer/refazer, com opções extras em um toque duplo sobre cada ícone; a barra inteira pode ser fixada à esquerda ou à direita, para canhotos e destros.
Quem já recebeu
Usuários relataram a novidade em aparelhos como Galaxy Tab S10 FE, Galaxy S24 e S23, XP-Pen Magic Note Pad e até o BOOX Go 7, um e-reader Android com tela de tinta eletrônica — onde a experiência vira quase um Scribe de graça, apesar do atraso natural de um app de terceiro numa tela E Ink. A condição é uma só: o aparelho precisa reconhecer uma caneta como caneta.
O timing mostra a estratégia. A função estreou há poucas semanas nos novos tablets da linha Alexa da Amazon, migrou rápido para o Android e, dias antes, o app já tinha ganhado opções de sublinhado e contorno de texto. A Amazon está claramente empilhando ferramentas de anotação no Kindle para Android, e a versão para iOS deve ser a próxima — embora sem data anunciada.
Para a Amazon, o movimento tem um bônus: ele transforma qualquer tablet comum em um concorrente do próprio Scribe, que continua à venda como o e-reader "de escrever" da marca. É o tipo de canibalização amigável que só faz sentido quando o negócio real é vender o livro, não o aparelho.
O que isso significa no Brasil
A mudança chega bem para o leitor brasileiro, que usa o celular como principal tela de leitura e muitas vezes estuda por PDFs e e-books. Tablets com caneta vendidos oficialmente por aqui, como os Galaxy Tab com S Pen, viram de uma hora para outra cadernos de anotação sobre os próprios livros, sem custo extra. Se você está pensando em um aparelho para ler e estudar, vale conferir o nosso guia de tablet até R$ 1.500 para estudar e ver Netflix antes de decidir.
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