Meta AI gerava imagem para um candidato e recusava o outro; TSE ameaça multa de R$ 500 mil por dia.

O ministro Marco Aurélio Bellizze, do TSE, determinou na quinta (15) que a Meta não interfira na distribuição de conteúdo político-eleitoral de Lula (PT) nem de Flávio Bolsonaro (PL) até o fim do segundo turno, sob pena de multa diária de R$ 500 mil. A decisão atende a uma ação da campanha de Lula, que afirmou que a empresa "tem falhado, de forma reiterada e sistemática, na entrega de postagens da coligação". Nesta sexta (16), a Meta respondeu em nota: disse que "não toma partido nessa nem em nenhuma outra eleição" e atribuiu cada episódio a erros pontuais.

Logotipo da Meta AI, um anel em degradê de azul, roxo e verde, centralizado sobre fundo claro

Meta

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a nota da Meta diz que cada caso tem explicação

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a Meta AI aceitava um candidato e recusava o outro a dez dias do segundo turno

O que o TSE mandou

A decisão proíbe a Meta de reduzir a distribuição de conteúdo político dos dois candidatos, excluir posts dos sistemas de recomendação, restringir a visibilidade em buscas ou alterar métricas sem justificativa, segundo o Valor. A ordem vale até o fim do segundo turno e exige ainda que a Meta AI, o assistente embutido no WhatsApp, aplique critérios idênticos às duas campanhas.

Na decisão, Bellizze escreveu que, a dez dias do segundo turno e com a ferramenta aberta a qualquer usuário do WhatsApp, é justificável exigir o mesmo tratamento e a explicação dos critérios usados. O ministro também notificou o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, para avaliar uma fiscalização extraordinária do plano de conformidade firmado entre o tribunal e a Meta.

A lacuna da Meta AI

O caso mais direto envolve o gerador de imagens. Usuários relataram que a Meta AI no WhatsApp se recusava a criar imagens de campanha de Lula, mas atendia pedidos semelhantes para Flávio Bolsonaro. A campanha petista levou o exemplo ao tribunal.

A Meta confirmou o episódio de 14 de outubro e chamou o problema de "lacuna específica" nas proteções, "não de viés político". Segundo a empresa, os sistemas bloqueavam prompts no Brasil que mencionavam claramente qualquer um dos candidatos, incluindo "Lula", "Luiz Inácio Lula da Silva", "Bolsonaro" e "Flávio Bolsonaro". Mas o filtro nem sempre reconhecia o candidato quando um primeiro nome comum aparecia combinado com um número eleitoral. Para cumprir as regras eleitorais, a empresa proibiu temporariamente a Meta AI de recomendar candidatos ou gerar imagens deles no Brasil.

Os outros "incidentes técnicos"

A nota da Meta lista uma cronologia de falhas para responder à acusação de perseguição:

  • 23 de setembro: a conta de anúncios da campanha de Lula foi desativada "por engano" por pouco mais de uma hora. Um anúncio foi classificado como possível tentativa de se passar por um programa social do governo, numa análise antifraude ligada a um acordo com a Advocacia-Geral da União firmado em 13 de abril de 2026. A página oficial no Facebook e a conta no Instagram não foram bloqueadas.
  • 7 de outubro: um incidente técnico congelou ou zerou as contagens de visualizações de Reels por cerca de cinco horas. A falha atingiu criadores em mais de 100 países, e a campanha de Flávio Bolsonaro também reclamou no mesmo dia.
  • 9 de outubro: uma falha global no Gerenciador de Anúncios, causada por uma atualização de código, impediu temporariamente anunciantes de criar peças a partir de posts já publicados no Instagram.

"Nenhum deles reflete direcionamento político. Nenhum reflete manipulação da distribuição. Nenhum reflete uma tentativa de influenciar a eleição", concluiu a empresa.

O que isso significa no Brasil

A multa potencial é de R$ 500 mil por dia, e o relógio corre até o fim do segundo turno. Para o usuário, a mudança prática já está no ar: a Meta AI não gera mais imagem de candidato nem recomenda nome no país. Para as campanhas, a ordem impede que alcance, busca e métricas sejam mexidos sem justificativa documentada.

A Meta aproveitou a nota para reclamar das "regras rígidas do Brasil para conteúdo digital", que desde 2025 ampliam a responsabilidade das plataformas sobre conteúdo de terceiros. Na avaliação da empresa, o desenho "aumenta o risco de aplicação excessiva e ameaça a liberdade de expressão". É a mesma tese que a indústria repete a cada nova obrigação judicial. Desta vez, quem decide se a tese cola é um tribunal com caneta de multa na mão.

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Fontes primárias verificadas (2) ▾

The Zero.