A Meta anunciou nesta segunda-feira (26) uma oferta pública de cerca de US$ 35 bilhões em ações para financiar a expansão em inteligência artificial. Não é uma abertura de capital: a empresa já é listada na Nasdaq, e a captação mistura ações ordinárias da Classe A e ações preferenciais conversíveis. Algumas manchetes chamaram de IPO, mas o comunicado da própria Meta descreve ofertas subsequentes de ações.

Como a oferta é montada

Segundo o comunicado, são duas ofertas simultâneas. A primeira tem cerca de US$ 12,5 bilhões em depositary shares, que representam uma ação preferencial conversível obrigatória Série A, com conversão prevista para cerca de 15 de agosto de 2029. A segunda tem US$ 22,5 bilhões em ações Classe A, vendidas em conexão com acordos de venda a termo (forward sale) com Morgan Stanley e Goldman Sachs. Nesse segundo caso, a Meta não recebe o dinheiro de imediato: ele entra quando os acordos forem liquidados.

Há ainda um segundo passo. A empresa planeja lançar um programa de venda de ações at-the-market de até US$ 60 bilhões, assim que as novas ações Classe C, sem direito a voto, começarem a ser negociadas, o que se espera para o primeiro trimestre de 2027. A própria Meta ressalva que não há acordo fechado nem garantia de que o programa saia nos termos descritos.

Os bancos ainda têm uma opção de 30 dias para comprar mais papéis: até 37,5 milhões de depositary shares e até US$ 3,375 bilhões em ações Classe A, o que pode aumentar o total. Cada ação preferencial tem preferência de liquidação de US$ 1.000.

Para onde vai o dinheiro

A Meta diz que a captação sustenta investimentos em infraestrutura de IA e na "superinteligência pessoal". Para 2026, a empresa projeta de US$ 135 bilhões a US$ 145 bilhões em investimentos de capital. Hoje ela tem data centers em 23 estados americanos, constrói quatro superclusters com mais de 1 gigawatt cada e pretende quase dobrar a capacidade total de infraestrutura em 2026.

O comunicado mostra o tamanho do caixa e da dívida. A Meta gerou US$ 97 bilhões em fluxo de caixa operacional nos três primeiros trimestres e tinha cerca de US$ 82 bilhões em caixa e títulos no fim de setembro, pouco acima da dívida de longo prazo de US$ 80,92 bilhões, segundo a Reuters. Segundo a CNBC, ela também se comprometeu a gastar cerca de US$ 825 bilhões no futuro, em data centers, infraestrutura de IA e nuvem.

O argumento para os investidores

A Meta usou o anúncio para listar o que, segundo ela, já rende: 3,64 bilhões de pessoas usam ao menos um app da família diariamente, e a receita do terceiro trimestre foi de US$ 64,6 bilhões, alta de 26%, com lucro líquido de US$ 9,9 bilhões. A empresa afirma que o Muse, seu assistente de IA, passou de 10 milhões de usuários nos EUA e no Canadá em poucas semanas, com compras como principal uso. Diz ainda que mais de 2 milhões de empresas usam o Business Agent por semana, com mais de 30 milhões de conversas semanais.

Com isso, a Meta tenta mostrar que o gasto bilionário em IA já volta em receita. O mercado vai medir essa promessa contra o tamanho da conta, que cresce mais rápido do que o caixa.

O que isso significa no Brasil

O comunicado não cita o Brasil nem prevê lançamentos locais. O que ele mostra é a direção: a Meta quer que agentes de IA atendam empresas dentro dos seus apps, e a família de apps inclui o WhatsApp, muito usado por pequenos negócios brasileiros. Isso é leitura nossa, não anúncio da empresa. Para quem já vende pelo WhatsApp, vale separar bem o número pessoal do comercial, tema do nosso guia WhatsApp Business e o app pessoal: o que não pode ficar no mesmo chat.